quarta-feira, 6 de abril de 2011

Na espera do retorno


Sentada no aeroporto, ela pensa na vida…hora do retorno.
Ela pensa nos dois meses que ali passou e que agora se dá o fim.
Ela pensa nos amigos, na família que está longe, no dia-a-dia que a espera denovo.
Ao seu lado, o seu namorado. Ele tem calça preta, pul cinza e boina listrada comprada numa feirinha em Lisboa. Ele lê o jornal e ri, com algumas passagens que acha interessante.
Ela escreve. Em suas mãos, uma caneta de tinta verde cintilante que ela achou na mochila dele. Ela pensa e continua a escrever. O vôo está atrasado em 25 minutos.
De repente, seus pensamentos são quebrados por uma mensagem : “Finalement le vol a été retardé d’une heure ” .
Putain! Completa falta de respeito dessas companhias aéreas, ela pensa!
E um ça fait chier de seu namorado, que resolve ir procurar um lugar mais tranquilo para ler seu jornal.
Ali ela fica a observar aquele lugar...um salão de aeroporto.
Pessoas diferentes sentadas lado a lado. Um lugar democrático, pensa ela.
Caras cansadas, outras parecem inertes ao mundo ao redor.
Compenetrado, um garoto à sua frente lê um jornal e a moça sentada no ultimo banco à sua direita, parece procurar algo no seu IPOD. Ou seria um outro eletrônico super moderno
Ela não se importa com essa coisa da tecnologia, o que ela gosta mesmo é de observar as pessoas...e observar de novo! E imaginar o que se passa na cabeça de cada uma delas.
Incrível, ela pensa! Todos reunidos num mesmo lugar, para um mesmo fim...mas as interações são poucas.
Ai ai, essa tecnologia do mundo moderno parece mesmo funcionar nestes momentos de tédio, como a longa espera de um vôo em atraso.
Mas ela prefere a sua caneta verde cintilantee o seu papel de rascunho, onde ela escreve e voa alto. Tão alto quanto o avião, que decolará dentro de alguns longos minutos.
Ah, aeroportos....são TODOS iguais!

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